Home Office, Trabalho remoto

Maternidade x Home Office: quais lições estamos aprendendo durante a pandemia?

A pandemia provocada pela COVID-19 trouxe com ela muito além da angústia e do medo, todos os cuidados a serem implantados para prevenção. As pessoas precisaram se organizar para uma nova realidade de trabalho. Muitas empresas solicitaram que seus funcionários permanecessem em casa atuando remotamente. Além disso, as escolas foram fechadas e a grande maioria iniciou um sistema de ensino à distância. Tudo isso foi implementado muito rapidamente e, apesar de todos os esforços, o planejamento deixou a desejar em vários aspectos.

Diante de tal turbulência, os pais precisaram se adaptar, organizar a rotina, e conciliar afazeres domésticos, trabalho a distância e cuidados com os filhos. E tudo isso deveria se encaixar no intervalo de 24 horas diárias.

DESAFIO COM CRIANÇAS

O que mais se escutou e leu em grupos de mães e redes sociais foi o esgotamento psicológico que toda esta mudança está causando nas crianças e nas mães (sobretudo, já que ainda vivemos em uma sociedade onde a maior parte dos cuidados com os filhos recai sobre elas).

Renata Fontes é fotógrafa e, apesar de realizar os ensaios fora do ambiente doméstico, toda a parte de edição é realizada em casa. Para ela a rotina tem sido bastante exaustiva e as interrupções para os cuidados com o filho Gabriel de 7 anos tornam o decorrer do trabalho mais lento. Para conciliar o trabalho com as aulas online ela diz que tenta ficar um pouco distante fisicamente do filho para ver se ele consegue desenvolver sozinho. E, assim, ela consegue realizar seus trabalhos também. Mas, inevitavelmente, todas estas mudanças refletem em seu relacionamento com seu filho: “Não tenho nenhuma rede de apoio! Tem sido muito difícil e minha relação com meu filho está sendo diretamente afetada”.

A procurada do Ministério Público do Trabalho, Silvia Rossi, tem dois filhos (um de 2 anos e outro de 4) e também comenta da exaustão que a rotina tem trazido. Apesar disso, ela diz que o marido ajuda muito e tem um trabalho mais flexível do que o dela. Ainda assim, Silvia comenta qual o seu o maior desafio: “Mantê-los entretidos durante o dia, já que na idade deles a concentração em uma atividade é curta; fazê-los entender quando não posso parar para dar atenção; cuidar do aprendizado pedagógico deles; conciliar home office com o cuidado e educação deles e mais as tarefas da casa”.

Já Aline Bianchi, engenheira civil, é mãe do João de 5 anos e vê pontos positivos e negativos. Segundo ela, João gosta de vê-la trabalhando em casa e ficar ao seu lado. Já o ponto negativo é que o rendimento do trabalho é menor já que precisa dividir a atenção várias vezes ao dia.

A psicopedagoga Tatiana Marchi é mãe do Luigi de 12 anos e lembra que no início foi preciso muita adaptação, inclusive estruturais como aquisição de novos aparelhos eletrônicos, melhoria da internet, adaptação de cadeiras e local de estudo. Então, a rotina demorou a ser estabelecida.

Um dos grandes problemas citados por todas é a ausência de contato social com outras pessoas, seja uma rede de apoio para as mães, seja a interação dos filhos com outras crianças. Aline Bianchi comenta que o que mais sente falta é de ver o filho brincando com outras crianças: “Fico pensando que nós adultos ainda conseguimos interagir com amigos mesmo que de forma virtual. Conversamos pelo WhatsApp, vemos Instagram… E meu filho não. A única pessoa que ele tem para interagir sou eu. E muitas vezes não consigo por conta do trabalho”.

Já Silvia sente falta de ter um tempo livre para descansar: “Desde que a pandemia começou, descansar de fato virou um luxo, já que não há mais a escola e a rede de apoio teve que se distanciar”.

“Descobrimos, da pior maneira, que o “online” nem de longe, nem de perto, substitui sua liberdade de ir e vir, de encontrar as pessoas, de trabalhar frente a frente”, complementa Tatiana Marchi.

NOVAS PERSPECTIVAS

Entretanto, grandes momentos, catástrofes e mudanças mundiais, além de causarem grande impacto na sociedade, também geram grandes reflexões e discussões. Para Tatiana Marchi, toda esta privação fará com que vejamos os antigos problemas com outros olhos. “Quando tudo acabar, penso que reclamaremos menos da rotina, do desgaste do trânsito, do mau humor das pessoas. Essa é a hora da oportunidade de enxergar as coisas de forma mais leve e com mais amor”.

Já Aline Bianchi pensa que o excesso, que por ventura tenha, na televisão e tablet devido as circunstâncias vai diminuir e o filho vai voltar a brincar com outras crianças. Mas a pandemia só reforçou o laço de amizade entre eles. “Ele brinca comigo, dá risada e se diverte como se fossemos duas crianças. A nossa parceria foi a melhor lição de tudo isso que estamos vivendo”.

DICAS ATÉ TUDO ISSO PASSAR…

Aline Bianchi diz que o que ajudou muito foi ela desligar um pouco dos horários. “Aprendi a trabalhar picado. Computador fica ligado o dia todo na sala mesmo. Eu trabalho 10 minutos, paro. Faço outra coisa, brinco, converso com ele e depois volto para trabalhar mais 10 minutos.  Levo muito mais tempo para concluir o que preciso, mas acho que o dia fica mais leve assim”.

Tatiana Marchi orienta outros pais para manter a calma.  “É difícil, mas talvez seja a hora de exercitar ainda mais a paciência e o auto controle”. Ela diz que o ideal é ter uma avaliação caso a caso. Mas que se a situação está insustentável o ideal é procurar ajuda profissional como psicopedagogos, psicólogos, professores, terapeutas ocupacionais, etc.

Mas enquanto tudo isso não acaba, tentar realizar atividades diferentes com as crianças contribui para que elas preencham o seu dia de forma produtiva e ainda melhoram a relação mãe e filho. Uma busca rápida pelo navegador de pesquisa é possível encontrar várias dicas de atividades para fazer com crianças por faixa etária. Encontrar grupos de apoio (como grupos de mães) nas redes sociais pode ajudar na troca de experiências também.

Além de tentar trabalhar as emoções e as relações é importante manter um local adequado de trabalho e estudo dentro de casa. Ter uma mesa sem muitos itens para evitar distrações, uma cadeira com ajuste adequado e uma boa luminosidade são importantes para ter um bom ambiente para trabalho.

E apesar de todas as dificuldades, cada família com seus desafios, devemos lembrar que um dia vamos voltar aos locais de trabalho e as crianças para a escola, e este momento ficará ilustrado nos livros de História dos nossos filhos.

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