Comunidades digitais, Comunidades do Facebook, Empreendedorismo feminino

Comunidades digitais e a força das Mulheres e Mães

A Internet sendo usada para promover o bem e a união de mulheres e mães

Não é novidade que as redes sociais vêm exercendo um papel importantíssimo na Internet, nos negócios e nas relações pessoais. Ao redor do mundo vemos casamentos sendo realizados entre pessoas que se conheceram virtualmente, negócios milionários são fechados por grandes marcas na Internet, novas profissões são criadas a cada dia com estudos de alto nível de detalhes sobre o uso, as estratégicas, as métricas, as estatísticas e as linguagens utilizadas nas redes.

Mas particularmente algo vem chamando atenção de grandes empresas e marcas: são as comunidades e os grupos que são criados nas redes e o poder de transformação e influência que eles exercem.

Comunidades digitais

Um crescimento orgânico e intuitivo

Tudo começou de forma despretensiosa trocando e-mails. Uma gravidez, muitas dúvidas e um grupo de amigas vivendo a maternidade. Este é o começo da história de 10 anos de um grupo secreto no Facebook que atualmente reúne 8,7 mil mães. Esta é a história do Mommys, mas também é a história da Mariana Bicalho, sua fundadora e líder.

Ela conta que durante a gravidez do seu primeiro filho, que vai fazer 10 anos, ela queria tirar dúvidas sobre enxoval, saber o que as amigas estavam vivendo durante a gravidez ou já tinham vivido, se o que estava sentindo era normal, qual o melhor carrinho de bebê para comprar… Dúvidas corriqueiras de qualquer mãe de primeira viagem. Então, ela criou um grupo de e-mail onde trocavam dúvidas e experiências.

Do e-mail partiram para a plataforma do Facebook e uma amiga foi chamando outras e o grupo foi crescendo de forma natural. “O Mommys cresceu de forma orgânica sem eu mesma entender que eu estava ali construindo uma comunidade e sem eu entender, no início, a importância do Mommys para outras mães”.

E foi ouvindo o feedback das “mommys”, como ela carinhosamente chama, que ela começou a prestar atenção: “Eu fui entendendo que de fato estávamos ali criando uma rede de apoio e que realmente era importante para as mães, já que a maternidade vem cheia de desafios, mas que ela pode ser leve quando temos pessoas para dividir com a gente”.

Crédito: Fabiana Cristina

Mais que vocação, uma missão

Mariana conta que o processo de crescimento do grupo foi também um processo de autoconhecimento. Ela precisou entender o seu papel dentro da comunidade e entender que o vazio que ela sentia quando alguém lhe perguntava qual era a sua vocação era, na verdade, natural, pois nem mesmo existia esta profissão: a de líder de comunidade.

Mas este processo foi intenso e cheio de nuances. Mariana fez faculdade de direito, atuou no mercado de trabalho, e só depois do nascimento do seu filho e do Mommys é que ela entendeu o seu propósito.

“Eu sempre achei que todo mundo tinha uma vocação. Hoje penso que todo mundo tem uma missão, um propósito […]. Eu escolhi o direito de forma aleatória, porque sempre defendia muito meu ponto de vista. Mas quando entrei no mercado de trabalho, eu vi que não era uma coisa que eu era apaixonada, que eu amava fazer, e que eu me entregava de corpo e alma. Sempre senti este vazio”.

Ela conta que hoje tem clareza desta missão. E olhando para trás, ela consegue entender, pois fazer conexões, pontes, construir relacionamentos e agregar pessoas, sempre fez parte da sua vida. Ela brinca que ela nunca foi sozinha, já que é gêmea univitelina. “Eu já nasci sabendo que estar junto era muito mais legal do que estar sozinha”.

Sobre a profissão

Mariana reflete que construir comunidades sempre esteve presente na sua vida, mas que não tinha noção disso. “Eu comecei a construir uma comunidade de forma muito intuitiva. Hoje tudo o que eu fiz tem livro, passo-a-passo, artigos e material falando sobre isso”.

Mas hoje a profissão de community manager ou community builder vem ganhando espaço e as empresas e marcas do mundo tem aumentado cada vez mais o seu interesse na área, pois entenderam a força e o engajamento dessas comunidades.

O próprio Facebook tem voltado seu olhar para as comunidades de forma diferente. Mariana começou o Mommys em 2010. Em 2018 ela participou de um programa mundial de treinamento oferecido pelo Facebook (Facebook Community Leadership Program), para capacitação e financiamento de lideranças em comunidades. O programa teve encontros presenciais e online, inclusive alguns na própria sede do Facebook, nos Estados Unidos.

Quando perguntada sobre a sua liderança, Mariana explica que dentro de comunidade não funciona o modelo de liderança tradicional e hierárquica. “O foco é na rede e não no líder. Ele é necessário para disseminar a visão e promover a cultura da comunidade. Mas existe plena consciência que a liderança é coletiva”.

Ela explica ainda que nas comunidades só funciona se a liderança for mais humilde, mais humana, mais colaborativa pois é necessário reconhecer que todos os membros são peças importantes.

E sobre a diferença de liderança feminina e masculina ela diz “Nessa onda de liderança humanizada eu sinto que as mulheres saem na frente, pois essa sensibilidade já faz parte da nossa essência”.

Comunidade Digital Mommys
Crédito: Sheyla Pinheiro

De onde vem a magia do Mommys

E com esta liderança humanizada, descentralizada, o engajamento do Mommys é muito grande. Tanto que vários projetos saíram do virtual para o presencial. Desde feiras de empreendedorismo materno, shows exclusivos para integrantes que agradam a uma grande maioria das mães, o Mommys Night Out, até casamentos comunitários. São vários os eventos e encontros promovidos para que novos laços sejam feitos, que relacionamentos saiam do virtual, e que a comunidade continue cada vez mais engajada e atuante.

Mas de onde vem a magia do Mommys, que o torna tão engajado? Mariana analisa alguns pontos: “Para engajar a gente tem que mostrar a nossa verdade. Nenhuma comunidade é saudável ou é engajada se a pessoa que está à frente não tem muita vontade de estar ali. Não sente muita paixão por estar ali. E isso eu tenho de sobra. As pessoas sentem essa energia. Sentem minha doação, a minha paixão e a minha transparência”.

Além disso, ela diz que nunca se colocou na posição de dona da comunidade. “Eu sinto do fundo do meu coração que todo mundo que está ali é dono igual. Eu estou ali para facilitar as coisas, facilitar as conversas. Ter este entendimento e demonstrar isso faz com que as pessoas se sintam responsáveis pelo que acontece ali dentro, se sintam livres e seguras para serem elas mesmas”.

Mariana inclusive cita uma frase: “Para construir uma audiência ajude pessoas, para construir uma comunidade ajude pessoas a ajudarem pessoas”. Ela analisa que no Mommys isso acontece muito.

Inclusive, ela cita como exemplo as regras do grupo. Segundo ela, no início do grupo a única regra do grupo era: bom senso. Mas à medida que a comunidade cresceu, alguns conflitos aconteceram, naturalmente, como em toda comunidade e foi preciso ir criando, conjuntamente, algumas normas para que a dinâmica do grupo acontecesse de forma pacífica. Ela recorda que nada foi imposto. E que cada regra do grupo tem uma história por trás que levou o grupo a limitar para evitar desavenças. “As regras foram construídas por demanda da própria comunidade.  Elas me ajudam a fiscalizar”.

Outro ponto que ela considera fundamental é a empatia. Segundo ela, não tem como liderar uma comunidade com tantas pessoas diferentes, com histórias de vida distintas, sem tentar ver pela perspectiva do outro. Para ela isto é uma obrigação. “Eu fui aprendendo que para que os diálogos acontecessem de forma respeitosa, para que as pessoas sentissem validação no que elas sentem, no que elas falam, era fundamental exercer empatia”.

Desta forma, ela afirma que sempre acolhe qualquer membro que não está satisfeito e também quer sempre ouvir o outro lado. “Ninguém é certo ou errado o tempo todo, ninguém é bom e ruim o tempo todo. Ter esta clareza faz com que a gente vá criando um ambiente ali de humanidade mesmo. Que somos humanos que às vezes erramos e estamos ali para estender a mão”.

Além disso, Mariana diz que ter respeito à opinião contrária, saber filtrar as críticas, faz com que haja equilíbrio e tranquilidade. E, da mesma forma, deixam que as pessoas se sintam à vontade para dar feedback e críticas que ajudarão o grupo a crescer.

Mais um ponto fundamental para ela é a criação de espaços para que as pessoas possam se relacionar. Pois é neste momento que o engajamento de verdade acontece: “é a partir do momento que são criados laços dentro da comunidade, que não é só eu falo e outros ouvem. É todo mundo colaborando e contribuindo”. Ela analisa que muitas vezes entramos em comunidades mais para receber, tirar dúvidas. Mas à medida que o tempo passa, também ajudamos e passamos a nos doar também. E ela vê isso como uma dinâmica natural.

Por fim, ela pontua que outro aspecto fundamental é dar crédito a todo mundo que a ajudou a construir algo dentro do grupo, algum serviço, alguma história de mãe ou ideia. E ela sinaliza: “A força da comunidade vem de todo mundo que faz parte dela. Todas nós estamos unidas para viver o mesmo propósito que é de viver uma maternidade mais leve”.

E nesta linha ela conta que sempre pede opinião às “mommys”. Ela lembra que quando precisou entregar o projeto para o Facebook, ela pediu opinião e ajuda no grupo “Eu postei em um dia e no dia seguinte tinha mais de 30 “mommys” almoçando comigo em um restaurante me ajudando a construir o projeto mais importante da minha vida. Eu valorizo cada pessoa que está dentro da comunidade. Eu não me canso de demonstrar isso. E eu acho que deveria demonstrar até mais. Tudo que eu faço e tudo que falo eu quero demonstrar o meu sentimento de gratidão por elas”.

Então, a magia da Mommys são vários fatores. “Não é uma fórmula mágica de sucesso. São vários posicionamentos, várias construções. Não acontece de um dia para o outro. Leva tempo. E todo mundo se sente um pouco responsável pela comunidade”.

Comunidade Mommys
Crédito: Fabiana Cristina

Mães felizes e bem sucedidas

E entre estas construções estão vários projetos que contribuem efetivamente para a vida das mães. “Tudo que acontece na comunidade é fruto do próprio Mommys. Eu estou ali só para ser um catalisador às vezes”.

E entre estas demandas, Mariana identificou uma necessidade de contribuir para as mães empreendedoras. “Eu vi este movimento acontecendo no Mommys. Eu vi a dor das mães de voltar de licença de maternidade e serem desligadas. Do mercado não ser amigo das mães, na maioria das vezes. Além do dilema das mães que não querem voltar de licença maternidade, pois querem ter mais flexibilidade, querem ficar mais tempo com os filhos”.

Então, em meio a angústia das mães que começavam a empreender, sem apoio, sem capacitação e na maioria das vezes de maneira desordenada e sem planejamento, Mariana criou o Mommys de Negócio e também a Feira de Empreendedorismo Materno que tem duas edições anuais (dia das mães e Natal).

A Feira surgiu em uma conversa dela com duas mães que disseram que estavam com problemas: uma com um estoque de uma loja que ela tinha fechado e a outra que tinha começado a vender sapatilhas para ajudar o marido com as dívidas. “E em uma semana a feira estava toda preparada. E foi um sucesso. A mãe que fechou a loja conseguiu praticamente zerar o estoque. A outra mãe da sapatilha falou que conseguiu quitar as dívidas que estavam tirando o sono do marido dela. E aí a gente não parou mais”.

Ela analisa que a Feira tem uma importância grande na rede de contatos. Não fica somente nos dias que duram a feira. Depois o trabalho da mãe fica conhecido dentro da comunidade e geram outros negócios.

Além disso, Mariana conta que tem os movimentos de capacitação também. Muitos trabalhos de mães do grupo, chegavam até ela por ela ser a líder. Ela entendeu, então, que outras pessoas precisavam conhecer também. Foi então que surgiu o Mommys de Negócio. Eram encontros onde as mães podiam apresentar seu negócio para outras mães, com palestras e conteúdo.

O projeto se transformou em Academia Mommys de Empreendedorismo, em parceria com outra mãe que criou um curso de capacitação. Hoje chama-se M Academia pois não quer limitar-se só às mães e às “mommys”. “Vimos que a dor de uma “mommy” empreendedora muitas vezes não é de uma mãe, e sim de uma mulher que não teve a oportunidade de começar o negócio de uma forma organizada”.

Mariana brinca que o Mommys tem tudo. “É uma fonte inesgotável de tudo o que você precisa. E ao mesmo tempo criamos uma rede”. Ela se orgulha de dizer que este projeto já formou mais de 100 alunas no ano passado.

E todo este projeto visa o sucesso dessas mães. Para Mariana, isto reflete na família e nos filhos. Então, todo o movimento que Mommys faz é focado na mulher: “Mãe feliz cria filhos felizes”, conclui.

Essência do Mommys

E os movimentos dentro da comunidade não se resumem a projetos do virtual para o presencial. Ela é uma rede de apoio onde mães ajudam outras mães de maneira altruísta. Perguntado sobre isso, Mariana acredita que isto é da natureza humana. Para ela, somos compassivos e empáticos por essência e que é preciso criar ambientes para que isso possa se expressar. “Eu acho que o Mommys é um desses ambientes. As comunidades podem mudar o mundo”.

E ao perguntar para Mariana o que é o Mommys para ela, com a voz embargada ela afirma que a comunidade a transformou como pessoa, como mãe, como líder, como profissional: “O Mommys é minha missão de vida. É a minha contribuição de valor pro mundo”.

Mãe segurando carrinho de bebe

Mãe, líder de uma comunidade feminina – Mulher

E liderando mais de 8 mil mulheres a sua opinião sobre ser mulher nos dias de hoje é poder ser o que quiser ser. Mas ela pontua que: o poder ser é ter a liberdade de ser, e não ser obrigada a ser. Esta realidade ainda é complicada, em sua opinião. “A gente pode, mas ainda não temos uma sociedade que entenda isso. O importante é a gente saber que temos este poder”.

Além disso, na sua análise, de alguma forma, as mulheres sempre foram educadas para achar que mulher deve competir com mulher. “Eu acho um absurdo sem tamanho isto, pois vejo todos os dias como é mágico e poderoso o poder de várias mulheres juntas. Como várias mulheres se juntam é muito poderoso e mágico. Eu vejo isto acontecer todos os dias no Mommys”.

Ela acredita ainda que tem uma responsabilidade muito grande para a transformação de um mundo mais igualitário e sem preconceitos. “Nós, como mães, temos o futuro nas nossas mãos e nos nossos colos. E eu, como mãe de menino, me sinto muito responsável para que a minha filha possa viver numa sociedade menos machista que essa nossa, e mais livre de preconceitos que a nossa que vivemos hoje. A gente pode mudar o mundo através da educação que podemos dar para eles”.

Crédito: Sheyla Pinheiro

Lições e convite

E nesta lição incrível que a Mariana nos passou de comunidade, de compartilhar experiência, em ajudar e pertencer a algum grupo, a Partiu ser nômade convida você a refletir sobre o mundo que vivemos e o que estamos deixando de herança para as novas gerações.

Quer conhecer mais sobre o Mommys?

https://www.portalmommys.com.br/

Passa muitas horas em frente ao computador? Dá uma olhada no que separamos para você na categoria Home Office

https://www.partiusernomade.com.br/home-office-e-coworking/

Home Office

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.