Nômade Digital: A jornada de Lucas Silva (Deluca)

Lucas Silva Deluca

Nesta entrevista, vamos conhecer a história inspiradora de Lucas Silva, também conhecido como Deluca, que, aos 23 anos, decidiu abandonar a estabilidade de um emprego tradicional em São Paulo para se aventurar no mundo do nomadismo digital. Formado em técnico de mecatrônica e com um futuro promissor em uma carreira de manutenção de máquinas, ele se viu preso a uma rotina que não trazia satisfação ou perspectiva de felicidade. Em busca de uma vida com mais propósito e liberdade, Lucas tomou uma decisão corajosa: mudar de estilo de vida.

Hoje, ele compartilha os desafios e as conquistas dessa jornada, mostrando como foi possível transformar frustração em motivação para viver de maneira diferente.

Nome: Lucas Silva (Deluca)

Idade: 23 anos

Em que local do mundo está atualmente: São Paulo – Brasil

Inspiração e Motivação

O que te inspirou a adotar o estilo de vida Nômade?

“Minha história começou em 2022, na época eu tinha me formado como técnico em mecatrônica e conseguido um emprego promissor na área. Após dois anos trabalhando com manutenção de máquinas eu me vi frustrado e sem saber o que faria da vida, me sentia infeliz e seguindo uma rotina igual a da maioria, que não me me deixava feliz e não me dava muitas esperanças positivas para o futuro, eu só me via trabalhando para pagar as contas.”

Qual foi o momento decisivo que te levou a largar a vida convencional e se tornar um Nômade Digital?  

“Somando as frustrações profissionais com as pessoais, foi aumentando o sentimento de que eu precisava sair daquela realidade e buscar uma nova perspectiva para a minha vida. Eu já acompanhava alguns grandes nomes do nomadismo e sempre gostei desse estilo de vida – apesar de não fazer ideia de como isso poderia ser possível.”

Preparação e Transição

Quais foram os principais desafios na transição para a vida Nômade?

“Um dos maiores desafios pra mim foi lidar com tudo sozinho, eu nunca tive ninguém próximo que tivesse passado por algo parecido e muito menos que tivesse qualquer contato com esse estilo de vida. Tudo que eu aprendi sobre ser nômade foi através de videos no Youtube e Instagram. Fora isso, havia tambem o desafio de encontrar uma maneira de tornar possível viver viajando, já que o meu trabalho nao me dava essa liberdade. Então, além da mudança de estilo de vida, eu precisei passar por uma transição de carreira também.”

Como você se preparou financeiramente e emocionalmente para essa mudança?

“Eu confesso que foi uma mudança que aconteceu muito rápido, em menos de um ano eu tomei a decisão de me tornar nômade (que pra minha família pareceu uma grande loucura) e logo comecei a pesquisar trabalhos, destinos e pessoas com quem eu pudesse me conectar e aprender.”

“Durante esse ano de preparação eu fui mandado embora e esse foi o meu pé de meia para começar a minha viagem. Eu peguei o que recebi dos meus benefícios como CLT, e comecei a preparar minha partida. Foi um processo doloroso, grande mudanças profissionais e pessoas estavam acontecendo e boa parte desses conflitos eu precisei lidar sozinho, mas isso me preparou para o que veio a seguir.”

Trabalho Remoto

Que tipo de trabalho você faz remotamente e como encontrou essas oportunidades?

“Ainda em 2022 eu fiz meu primeiro curso relacionado ao trabalho remoto, com ele eu aprendi algumas das principais profissões direcionadas a nômades, e dentre elas eu me identifiquei com o design, que foi minha primeira profissão remota.”

“Assim que fui mandado embora eu me dediquei 100% a essa função, comecei a buscar clientes em plataformas de freelancers, nas redes sociais e até amigos próximos, tanto que meu primeiro cliente foi a empresa do meu primo, que está no mercado até hoje.”

“Atualmente eu trabalho em duas áreas: a primeira como webdesigner, onde crio páginas e sites para outros prestadores de serviço e infoprodutores; já a segunda é o meu lado empreendedor dentro da Companhia, o nosso grupo de networking para empreendedores e freelancers nômades.” 

Quais são as ferramentas e aplicativos essenciais para o seu trabalho remoto?

“Atualmente tudo que eu faço é através do meu computador e celular, ambos eu uso para fazer reuniões, gerenciar projetos, prospectar clientes e manter a minha comunidade. Os softwares que mais utilizo no meu dia a dia são o Notion para organizar tarefas e demandas, o Discord para manter contato com o pessoal do grupo e o Webflow para desenvolver os projetos de webdesign.”

Rotina e Organização

Como é sua rotina diária enquanto viaja e trabalha?

“A organização do meu dia varia muito de acordo com o destino e da demanda de trabalho que tenho naquele momento, aqui em SP por exemplo, estou aproveitando a estabilidade e poucas viagens para desenvolver projetos mais robustos e atender mais clientes, além de conseguir manter uma rotina de treinos e curtir o tempo livre com minha família.”

“Mas já tiveram momentos onde eu precisei separar partes do meu dia para poder trabalhar, como na Tailândia por exemplo, quando estávamos em hostels mais agitados era praticamente impossível trabalhar no período da noite, então precisava aproveitar a manhã para adiantar minhas tarefas.”

Como você mantém a produtividade e a organização enquanto está em movimento?

“No geral é super tranquilo, eu gosto de organização e a liberdade que a vida nômade me proporciona pra fazer meus próprios horários é a combinação perfeita pra conseguir manter esse estilo de vida de uma maneira sustentável.”

“Tenho meus horários para trabalhar assim como tenho horários para o lazer, acredito que a grande chave para manter uma boa relação trabalho-vida pessoal é ser flexível. Principalmente se você escolheu empreender assim como eu, precisa estar ciente de que haverão momentos em que o trabalho vai falar mais alto e você irá passar horas na frente do computador, mas também terão momentos em que você poderá ficar 2 ou 3 dias apenas curtindo o seu destino e passeando por aí.”

Desafios e Soluções

Quais foram os maiores desafios que você enfrentou como nômade digital e como os superou?

“No início minha maior dificuldade foi conseguir recursos financeiros para me manter na estrada, eu comecei minha jornada com uma reserva financeira mas algumas situações acabaram prejudicando esse orçamento e eu me vi numa situação bastante delicada. Eu precisei me reinventar e ser criativo para encontrar maneiras de sair daquela situação, foi inclusive nessa fase que decidi que não iria depender de plataformas para conseguir trabalhos e passei a empreender.”

“Tenho para mim que para ser nômade – e isso serve para empreender também – você precisa estar disposto a passar por momentos bem delicados e intensos para que seja capaz de tirar aprendizados daquilo. Foi nessa experiência mais intensa que eu aprendi as maiores lições da minha vida até agora e ela me preparou para que eu pudesse dar conta de tudo o que estou construindo hoje.”

Como você lida com a solidão e a saudade de casa enquanto está sempre em novos lugares?

“Eu tive uma fase em que viajava sozinho antes da minha noiva se juntar a mim, e confesso que é uma experiência que eu recomendo que todos tenham pelo menos uma vez na vida. Me lembro do momento em que cheguei no meu primeiro hostel assim que desembarquei em Bangkok, todas aquelas pessoas conversando em inglês e eu sem entender nada já que não falava o idioma, nesse momento eu entendi que era eu o maior responsável por tornar aquela fase da minha vida em uma experiência boa ou ruim, e que tudo naquele momento dependia das escolhas que eu fizesse, que ninguém viria me salvar e que eu precisava aprender a me virar. Foi libertador! Ali eu descobri mais sobre mim do que em qualquer outro momento da minha vida, vi o potencial que eu tinha e de como eu era capaz de criar mesmo não tendo nada nas minhas mãos.”

Cultura e Experiências

Qual foi o lugar mais incrível que você já visitou como nômade digital e por quê?

“Um lugar que tem meu coração, talvez pelas belas paisagens que conquistam todos que veem, ou pela recepção tão acalorada das pessoas, o país que eu mais me senti em “casa” foi a Tailândia. Ali eu fiz amizades muitos boas, aprendi um novo idioma, estive em contato com experiências únicas. Aquele lugar se tornou uma parte essencial da minha história e que eu não vejo a hora de voltar.”

“Tinha uma trend recentemente onde você pedia ao chatgpt que descrevesse o dia perfeito na sua vida, para mim, o dia perfeito com certeza tem: um bangalô na beira da praia em Koh Lipe ou Koh Phi Phi, uma garrafa de Chang (cerveja local) e uma scooter para dar um rolê pela ilha (que duraria uns 5 minutos de tão pequena que é).

Como você se adapta às diferentes culturas e estilos de vida dos lugares que visita?

“Eu gosto de ter contato com a cultura local, seja com a cultura, com a culinária, e com certeza as pessoas. Pra mim o que torna cada destino realmente único e que marca ele na nossa vida são as pessoas que conhecemos neles e as histórias que ouvimos delas. Graças a Deus eu tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas em cada país por onde passei, cada um deixou comigo um pouco da sua história e eu deixei com eles um pouco da minha – espero poder ver cada um deles novamente um dia.”

Conselhos e Recomendações

Que conselhos você daria para quem está pensando em se tornar um nômade digital?

“Pra você que sonha em viver a vida nômade eu desejo sucesso, não vou mentir pra você, não é uma vida fácil, não é apenas viajar por aí, conhecer pontos turísticos e fazer tudo que der vontade. Ser nômade começa primeiro com a renúncia, das pessoas e dos lugares onde você nasceu e cresceu, da sua realidade, tudo isso para poder viver aquilo que você sempre sonhou para si. Tem perrengue, tem dor de cabeça, tem dificuldades, assim como também tem no estilo de vida convencional.”

Ser nômade não é para todos, é apenas para aqueles poucos dispostos a tornar um sonho distante em realidade, para aqueles com coragem para sacrificar algo agora para poder alcançar algo maior no futuro – lembre-se que a sua nova vida vai te custar a sua vida antiga.”

“E acima de tudo, arrisque-se, principalmente se você é jovem assim como eu, faça aquilo que você tem vontade, experimente, não deixe de fazer uma ideia só porque alguém disse que não é possível ou que parece loucura demais. Você só tem uma chance de viver essa vida, então faça com que essa chance valha a pena. Porque um dia todos iremos envelhecer, mas a diferença vai ser as histórias que cada um tem pra contar.”

Quais são os erros mais comuns que os nômades digitais iniciantes cometem e como evitá-los?

“Pra mim o maior erro é esperar a hora certa, não tem o momento certo para começar, claro que quanto mais cedo melhor, mas não espere ter o trabalho ideal, o roteiro ideal, o destino ideal. Eu comecei minha viagem sem saber inglês, com uma mochila escolar, não vim de família rica, não faturei milhões na internet, mas nada disso me impediu de ir para o outro lado do mundo viver aquilo que eu sonhava em viver.”

“Eu entendo que o medo também faz parte da jornada de todo mundo, mas a diferença entre aqueles que dão certo e que vivem coisas extraordinárias está no fato de que eles foram atrás do que queriam mesmo com medo.”

Planos Futuros

Quais são seus próximos destinos e objetivos como nômade digital?

“Agora, meu próximo destino é o Chile, em breve vamos voltar para a estrada e começar o nosso “mochilão” pela América Latina, sem data de volta, sem roteiro e sem pressa também. Vejo muitos nômades dizendo que conheceram X países em Y meses, não vejo a quantidade como um mérito se você não de fato viveu a experiência de cada destino. Somos muitos mais adeptos ao slow travel, vamos com calma, sem pressa pra viver, pois já estamos vivendo.”

“Tenho a meta de tornar a minha rede de apoio entre nômades em algo ainda maior e que impacte na vida de cada vez mais pessoas, e espalhar cada vez mais a mensagem de que ser nômade [e empreender] não precisa ser solitário.”

Além disso tudo quero me conectar com cada vez mais viajantes, conhecer suas histórias e quem sabe fazer negócios.

Você se vê continuando esse estilo de vida a longo prazo ou tem planos de se estabelecer em algum lugar no futuro?

“Com certeza! Planejo parar em algum momento para me concentrar na minha família e ter um lugar para chamar de casa, mas não me vejo nesse momento agora, quero aproveitar ao máximo a oportunidade que estou tendo para ver onde o destino vai me levar. E quando encontrarmos um lugar que a gente goste e se sinta em casa, aí sim será a hora de parar – ou reduzir a velocidade.”

“Até lá, ainda tem muito do mundo que eu quero conhecer.”

A jornada de Lucas Silva para se tornar um nômade digital reflete coragem, autodescoberta e uma busca incessante por liberdade. De uma rotina que não trazia felicidade, ele encontrou nas viagens e no trabalho remoto um caminho para a realização pessoal e profissional. Apesar dos desafios, Lucas transformou as dificuldades em oportunidades e desenvolveu habilidades valiosas para viver e trabalhar em movimento. Sua história nos lembra que o nomadismo digital vai além de viajar – é uma escolha de vida que exige coragem, preparação e disposição para aprender e se adaptar constantemente.

Esperamos que você tenha se inspirado com a experiência de Lucas e que suas escolhas ao abraçar um estilo de vida nômade possam trazer novas perspectivas para sua própria vida.

Continue nos acompanhando na seção Real Nomads para mais histórias incríveis de Nômades Digitais explorando o mundo e transformando suas vidas e carreiras.

Até a próxima!

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